1. O que é fissura labial e fissura
palatina ou palatal?
O lábio e palato
fissurados (também chamado de lábio leporino) são um tipo de defeito congênito.
Um lábio fendido é uma abertura ou divisão no lábio superior. Um palato fendido
é uma abertura ou divisão do céu da boca (chamado palato). Um bebê pode nascer
com uma ou as duas condições.
2. Quais são os sintomas de fissura
labial e fissura palatina?
Alguns bebês
com fissura labial têm um pequeno entalhe no lábio superior. Outros podem ter
uma abertura maior na forma de uma fenda que vai todo o caminho até o fundo do
nariz. Pode acontecer apenas de um lado ou dos dois lados. Um palato pode ser
fendido em toda sua extensão, só na parte da frente ou na parte final do céu da
boca, em um ou em ambos os lados.
Os bebês com
esses problemas podem ter problemas para mamar no seio ou na mamadeira.
3. Existe um exame de fissura labial e
fissura palatina?
Em alguns
casos, a fissura do lábio e/ou do palato pode ser vista em um ultrassom ou
ecografia, durante a gravidez. Um ultrassom morfológico cria imagens do bebê
dentro do útero, mas é difícil ver as fissuras em um ultrassom! Por isso muitas
crianças nascem sem o diagnóstico prévio, mesmo tendo realizados vários destes
exames durante a gravidez.
Se um
ultrassom mostrar que um bebê tem fissura labial ou palato, a pessoa que faz o
ultrassom buscará no bebê outros defeitos de formação que podem estar
associados.
4. Como tratar a fissura e o palato
fendido?
Na maioria
das vezes a cirurgia pode consertar um lábio e/ou palato fissurado. Para os
lábios leporinos, os médicos geralmente fazem cirurgia nos primeiros meses de
vida, ou pelo menos antes da idade de 1 ano de idade. Na maioria dos casos,
para a fissura palatina, os médicos indicam que a criança deve fazer uma
cirurgia entre 12 e 24 meses de vida. Mas o momento da cirurgia é diferente
para cada criança. E, além disso, algumas crianças podem precisar de mais de
uma cirurgia.
5. A criança terá problemas à medida que
crescer?
O bebê pode
precisar de outras cirurgias à medida que cresce. Mesmo após a cirurgia,
crianças com lábio leporino ou palato fendido podem ter outros problemas,
incluindo:
Dentes
faltantes, extras ou tortuosos – Muitas crianças precisam de aparelhos depois de seus
dentes de leite caírem e seus dentes permanentes crescerem.
Problemas
na fala –
principalmente as crianças com fenda do palato precisam trabalhar com um
fonoaudiólogo para ajudá-los a aprender a falar com clareza, pois podem ter a
fala fanha.
Infecções
auriculares e perda auditiva – Para as crianças que tem muitas infecções no ouvido, o
médico pode sugerir a colocação de um pequeno tubo no tímpano. Esses tubos
ajudam a prevenir infecções no ouvido e podem ajudar a criança a ouvir melhor.
Timidez e
problemas de relacionamento – muitos pacientes, devido às alterações estéticas decorrentes
da fissura, por causa das cicatrizes das cirurgias ou mesmo devido à fala fanha,
podem apresentar timidez, retração social ou sofrer perseguições na escola, na
família ou no trabalho, podendo às vezes ser caracterizado como vítimas de bullying.
Problemas
respiratórios – o
nariz pode estar com o septo desviado, além de outras alterações que pode levar
a obstrução parcial da respiração.
6. Pode evitar-se fissura labial e fenda
do palatina?
As mulheres
podem ficar mais propensas a dar à luz uma criança com fissura labial ou
palatal se fizerem certas coisas durante a gravidez, incluindo:
– Tomar ou
usar certos medicamentos, tais como: Medicamentos utilizados para tratar
convulsões, usar Metotrexato, que é
usado para tratar câncer e outras doenças,
usar ácido retinóico (isotretinoína) por via oral ou mesmo na forma de
cremes.
– Fumar
cigarros
– Beber
álcool
– Não tomar
” ácido fólico“ na gestação: As mulheres que estão grávidas ou planejam
engravidar devem tomar um multivitamínico “pré-natal” que tenha pelo menos 400
microgramas de ácido fólico. Elas não devem fumar ou beber álcool e também
devem informar seu médico sobre os medicamentos que estão tomando.
7. Que dificuldades têm uma pessoa que
nasce com fissura no lábio e no palato?
A grande
maioria das pessoas que nascem com fissura lábio palatina são pessoas normais,
como todos nós, com uma pequena diferença que é a fenda (abertura) no lábio e
no palato. Uma vez corrigidas as fendas do lábio e palato podem ter uma vida
normal. Há uma pequena dificuldade inicial para o aleitamento, para a fala,
para o posicionamento dos dentes, mas tudo isto tem tratamento no seu devido
tempo permitindo perfeita integração na sociedade.
8. Com quanto tempo depois de nascido
posso operar meu filho?
Não há
qualquer urgência e nenhuma justificativa científica para realizar a cirurgia
nas primeiras horas de vida, antes de sair da Maternidade. A cirurgia somente
deve ser realizada com boas condições clínicas da criança, com exames
laboratoriais e depois de ter atingido peso adequado. O melhor momento deve ser
avaliado pela equipe, principalmente pelo Cirurgião Plástico.
Os
protocolos cirúrgicos dos melhores centros mundiais aconselham que a cirurgia
do lábio seja feita entre os 3 a 6 meses de vida, preferencialmente com
intervenção na deformidade do nariz, e a cirurgia do palato antes dos 2 anos de
idade (+ ou - com 1 ano e meio).
9. O bebê vai conseguir mamar no peito?
Como faço para amamentar se o céu da boca é aberto?
Se a fissura
é só do lábio o bebê DEVE ser estimulado
a mamar no peito normalmente. Pode haver alguma pequena dificuldade no início,
mas é perfeitamente possível e recomendável.
Se a fissura
compromete o palato é um pouco mais difícil, porém não impossível. A criança
deve ser colocada no peito numa posição mais vertical (semi-sentada, também
conhecida como “à cavaleiro”). A mãe deve ajudar fazendo ordenha ao mesmo tempo
que o bebê suga para facilitar a saída do leite e tentando tampar a fenda
labial com o próprio peito para que a criança consiga alguma pressão.
O leite
materno é o alimento mais importante para a criança, portanto o aleitamento
materno deve sempre ser tentado. Sabe-se que a produção do leite depende muito
do estímulo de sucção da criança no peito da mãe, desta forma, após o
nascimento e assim que possível, a criança deve sempre ser levada ao peito mãe
para estimular a produção do leite.
Caso não
consiga mamar, ou não esteja mamando o suficiente (por cansaço), o leite deve
ser retirado com bomba e administrado por mamadeira, seringa ou conta-gotas.
Atenção! Depois de algum tempo a criança passa a preferir a mamadeira ao invés
do peito materno porque é mais fácil, por isso antes de oferecer a mamadeira
deve-se insistir na oferta do peito materno!
10. Como saber se o bebê está se
alimentando bem?
O indicador
se o bebê está se alimentando bem é o ganho de peso. Isto deve ser controlado
pelo pediatra e pela nutricionista com mais frequência que nas crianças sem
fissura palatina e labial. Nos primeiros dias de vida todo bebê tem uma perda
do peso que, em geral, é em torno de 10% do peso ao nascer. Depois disso, ele
tem que começar a ganhar peso. O intervalo entre as mamadas deve ser menor que
os não fissurados, isto é, deve-se oferecer o leite com mais frequência, pois o
bebê fissurado ingere mais ar durante as mamadas que distende o estomago e
envia o sinal que está satisfeita.
11. O bebê com fissura palatina (céu da
boca) poderá comer normalmente quando for introduzida a alimentação
complementar?
A introdução da alimentação
complementar (papa de frutas, papa de vegetais, etc) ocorrerá normalmente. No
início, algumas crianças podem precisar de alimentos com uma consistência mais
molinha (passada na peneira), mas depois deve evoluir a consistência assim como
uma criança sem fissura. Com um ano de idade, a criança já deve estar comendo a
comida com consistência normal.
12. Que tipo de preconceito uma pessoa
fissurada costuma enfrentar?
Geralmente
quando bem tratada, no tempo adequado e bem amparada pela família, quase
nenhum. Quando o resultado não é o satisfatório (mas passível de correção)
geralmente chama atenção a cicatriz ou defeito no lábio, o defeito no nariz e a
voz fanhosa ou fala alterada.
13. Temos muitos centros de fissurados no
Brasil?
Sim, mas não o necessário em virtude do grande
número de pacientes fissurados, da extensão do país e consequentes dificuldades
de locomoção e de acesso aos locais para tratamento. Outro problema sério são as condições sócio
econômicas da maioria população atingida por esta condição, infelizmente. (para
encontrar, acesse link Smile Train)
No Distrito Federal, o Serviço Multidisciplinar de
Atendimento aos Fissurados (SMAFIS) do Hospital Regional da Asa Norte,
organizado em 2013, oferece gratuitamente todo o tratamento aos pacientes
portadores de Fissura de Lábio e Palato. Além de atender pacientes do Distrito
Federal e Entorno, o SMAFIS atende pacientes de todo o Centro-Oeste, Norte,
Nordeste e partes do Sudeste do país.
14. Eu nasci com fissura. Meus filhos vão
nascer com fissura também?
Não
necessariamente. A causa do nascimento de fissurados não está totalmente esclarecido
(e talvez seja muito difícil chegar a esta conclusão um dia). O aparecimento
das fissuras é considerado decorrente de múltiplos fatores: ambientais e genéticos.
Sob o ponto de vista genético está demonstrada que a alteração dos genes que
participam da formação da face, dentre os milhares que nós temos, pode se
manifestar ocasionalmente e sem qualquer previsibilidade. A transmissibilidade
genética das fissuras não se faz de forma direta apesar de ser mais frequente
em determinadas famílias ou populações específicas, como p.ex, nos povos
indígenas. Para esclarecer as dúvidas e receber aconselhamento, os pacientes e
seus familiares podem ser encaminhados para avaliação de um profissional
geneticista.
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